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Pesquisa básica



Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM/PR)

 

Nem anjos, nem demônios : homens comuns : narrativas sobre masculinidades e violência de gênero

Quando Joan Scott anunciou que o gênero era uma categoria útil nas ciências sociais um universo de possibilidades abriu-se ante nós, pesquisadores inquietos com o mundo íntimo que invade sem licença o mundo social e, então, o gênero tornou-se uma categoria útil, necessária, pertinente e instigante nas ciências sociais. Desta forma, o campo dos estudos de gênero foi se nutrindo cada vez mais com pesquisas que buscavam compreender a ordem social e de gênero que tem orientado diversas sociedades e dentro dela, compreender a violência de gênero como uma consequência claramente injusta de tal ordem. Há mais de dez anos tento compreender essa violência de gênero; como ela opera e quem são os indivíduos que a compõem. Deste modo, o intuito desta tese é compreender como é o mundo de homens que têm atuado violentamente contra mulheres em algum momento das suas vidas. E para além desse evento violento, compreender quem são esses homens e como foi seu processo de socialização; na esperança de achar, nessas trajetórias, elementos mais detalhados que nos ajudem a compreender a violência de gênero. Foi assim como encontrei a tese da normalidade proposta por Hannah Arendt (1999) no seu livro "Eichman em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal", para compreender que os homens agressores não são o monstro que todos esperamos encontrar e sim homens comuns e assustadoramente normais e, o que é pior, todos nós, sujeitos sociais, partilhamos tal normalidade, de forma que a violência de gênero, como outras formas de violência, vão formando parte do cotidiano social e incorporando práticas culturais que tendem a normalizar-se. Da mão desta tese arendtiana, estudei a violência de gênero e fui procurar homens agressores, em primeira instância, e depois homens feministas, que me ajudaram a pensar os comportamentos agressivos de alguns homens contra algumas mulheres. Essa violência faz parte do que eu comecei considerar como uma "crise das masculinidades", pois detrás dos fatos violentos encontra-se um homem em desconstrução, já que as transformações socioculturais femininas e feministas, que começaram a se tecer a partir da segunda metade do século XX, está aos poucos propondo uma nova ordem social e de gênero que muitos homens ainda desconhecem e tal desconhecimento os deixa cada vez mais sós. Constituindo-se assim, a violência de gênero pode ser vista também como uma manifestação da crise da masculinidade, pois a ordem social e de gênero está mudando e muitos homens ainda não o reconhecem. Eu fui atrás de tais processos a partir das narrativas de diversos homens; seus relatos dialogaram com minha própria situação de violência de gênero e que só na reflexão durante a tese surgiu como experiência propriamente dita, servindo-me para aprofundar as questões aqui propostas. Desta forma, estruturei uma tese sobre violência de gênero, masculinidades e crise das masculinidades, a partir de narrativas de homens que agrediram mulheres e de homens feministas que lutam pelo fim da violência contra as mulheres (AU)

Informações de Categorização

Assunto(s): Gênero; Masculinidade; Vida; Violência; Violência de gênero;
Autor(es):

  • Etayo, Elizabeth Gomez()
Instituição de Defesa: UNICAMP;
Editora: UNICAMP;
Local: São Paulo (SP)
Tipo de Publicação: Tese;
Titulação Acadêmica: Doutorado;

Informações da Publicação

Link/URL: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000783480&opt=4
Ano da Publicação: 2011
Coleção/Série: 222f
Notas:

Orientador:  Amnéris Ângela Maroni.
Disponível para download na Biblioteca Digital UNICAMP - http://www.bibliotecadigital.unicamp.br
Acesso em: 19 jul. 2012


Informações Adicionais

Arquivo Anexado: 1468_1531_GomezEtayoElizabethD.pdf

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