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Pesquisa básica



Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM/PR)

 

Meio quilo de gente: Pessoa fetal mediada pela ultra-sonografia: um estudo etnográfico em clínicas de imagem na cidade do Rio de Janeiro

O foco central desta tese consiste em procurar compreender um fenômeno que se verifica na atualidade em torno das imagens ultra-sonográficas fetais. O que era a princípio e em princípio uma tecnologia de imagem médica, inventada com propósitos diagnósticos, gradualmente transformou-se em objeto de consumo e ‘lazer’. Para investigar o fenômeno, a pesquisa teórica aborda como foram construídos o olhar e o observador modernos, e de que modo as tecnologias de imageamento médico incidem na construção social do corpo. Outro aspecto teórico consiste na investigação, de um ponto de vista sócio-histórico, acerca da produção da gravidez e do feto como temas médicos, e de que modo a tecnologia de ultra-som aplicada à obstetrícia está situada na articulação de vários processos: o da construção de um novo olhar, o das reconfigurações do corpo, o da medicalização da gestação e do feto e, finalmente, o da construção do feto como Pessoa antes de seu nascimento. Estudos antropológicos produzidos no exterior, ao longo da década de 1990, apontaram que o fenômeno envolvendo as imagens fetais encontrava-se inscrito nos e delimitado pelos códigos socioculturais específicos de onde ocorriam. A inexistência de pesquisas acerca do tema, no contexto brasileiro, foi o ponto de partida para uma investigação empírica. Foi realizada uma observação antropológica de ultra-sonografias obstétricas, em abordagem etnográfica, em três clínicas privadas de imagem, ao longo de 2003, no Rio de Janeiro, visando compreender como tal fenômeno se dava, de que modo era produzido e significado pelos atores e quais os desdobramentos de tais práticas, modelados por especificidades culturais locais. O trabalho de campo evidenciou que a ultra-sonografia obstétrica caracteriza-se por ser uma tecnologia de imagem interativa, em contraste com outras técnicas de imageamento médico, uma peculiaridade que propicia a construção de diversos significados a partir das imagens fetais cinzentas e esfumaçadas. A produção do prazer de ‘ver’ o feto é a pedra de toque que une o útil ao agradável, e o consumo de imagens é um ponto de articulação de diversas questões expostas ao longo da tese. Pode-se pensar nesta situação como parte de um panopticismo que devassa corpos femininos e fetais, em um mesmo processo normatizando-os e construindo novos sujeitos calcados em corporalidades virtuais.

Informações de Categorização

Assunto(s): Aspectos antropológicos; Cuidados integrais em Saúde; Feto; Rio de Janeiro; Tecnologia mdica; Ultra-som;
Autor(es):

  • Chazan, Lilian Krakowiski()
Editora: UERJ;
Local: Rio de Janeiro (RJ)
Tipo de Publicação: Tese;
Titulação Acadêmica: Doutorado;

Informações da Publicação

Link/URL: http://www.bvsam.icict.fiocruz.br/teses/lkchazan.pdf
Ano da Publicação: 2005
Nome do Periódico:
Notas:

Tese defendida no Instituto de Medicina Social/UERJ.
Disponível para download no site da Biblioteca Virtual em Saúde Aleitamento Materno - http://www.bvsam.icict.fiocruz.br/php/index.php 
Acesso revisto em: 08 set. 2014


Informações Adicionais

Arquivo Anexado: 929_609_lkchazan.pdf

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