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O CLAM Resiste

Número 26 

 

As políticas de gênero e o enredo entre ciência, religião e direito da política sexual contemporânea são temas do Número 26, nova edição de SexualidadSalud y Sociedad - Revista Latino-Americana. lançamento tem significado especial para a equipe editorial, que resiste junto à UERJ (sua sede) em meio à crise política do Estado brasileiro e do Rio de Janeiro. 

 

No Brasil, a aliança conservadora que gravita fortemente no congresso e que, por meio de um golpe institucional, atualmente governa o país vem favorecendo notórios retrocessos das políticas de gênero, diversidade sexual e direitos humanos. Esse movimento não está dissociado de políticas de concentração de riqueza que oferecem uma perspectiva sombria em termos de trabalho, saúde, educação e bem-estar social da população, bem como de um “pacote de crise” que inclui o desinvestimento estatal em ciência e tecnologia e afeta gravemente a continuidade da universidade pública de qualidade no paísDiante desses embatesa comunidade acadêmica é chamada a redobrar seu compromisso com uma sociedade mais justa e livre de preconceitos. 

 

Produto desse engajamento e atento aos matizes de um fenômeno de alcance global, o número 26 de SexualidadSalud y Sociedad atualiza também a preocupação com o fortalecimento de discursos conservadores e o acirramento correlato dos conflitos que arriscam ser um retrocesso no campo dos direitos sexuais e reprodutivos em toda a América Latina.  

 

Dossiê “Fundamentalismos”, sexualidade e direitos humanos: interrogando termos, expandindo horizontes busca problematizar algumas fronteiras atualmente fortalecidas pelo clima de polarização política que o “giro conservador” suscita. Assim, os seis artigos selecionados discutem dogmatismos no contexto de controvérsias sociais que conectam política sexual, ciência, religião e direitos de modos às vezes inusitados: o “negacionismo do HIV” na África do Sul sob a presidência de Mbeki; o “abolicionismo da prostituição” na Argentina contemporânea; o “essencialismo” do positivismo jurídico no debate constitucional sobre o direito ao aborto no Brasil; a homofobia da Igreja Católica Romana e sua contrapartida na acolhida à diversidade sexual de diversas comunidades cristãs; as ambiguidades e contradições bioéticos e biopolíticas das justificativas médico-científicas do acesso à contracepção em países em desenvolvimento. 

 

 

Em estreito diálogo com os artigos do dossiê, os artigos de fluxo contínuo da revista refletem também clima de conflito. Um grupo de artigos aborda os direitos humanos das mulheres, por um lado em contextos de mobilidade populacional onde comparecem novamente os efeitos paradoxais de políticas contra o tráfico e a exploração sexual; e por outro em debates sobre aborto que conectam moralidade, religião e ciênciaO entrelaçamento ciência, política sexual e secularização adquire relevo também, com diferentes matizes, em outros três tópicos abordados em artigos: o projeto da “cura” de homossexuais em voga atualmente em discussões parlamentares no Brasil; o fascínio pela “inversão sexual” da medicina legal de início do Século XX na Argentina; e, no mesmo período, vozes da profissão médica que defendiam o prazer (hetero)sexual independentemente da reprodução. 

 

 

Publicada em: 29/08/2017



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