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Muito além do tráfico

Ao abrir a discussão proposta pelo Seminário Sexualidade, Violência e Justiça nos espaços populares do Rio de Janeiro, que era exatamente abordar essas três temáticas no universo das comunidades populares, a coordenadora de projetos de defesa da criança e do adolescente da UNICEF, Helena de Oliveira Silva, levantou alguns aspectos consoantes com a realidade nacional, como a violência contra os jovens sofrida em casa, na escola e nas ruas. “Temos uma cultura de bater na criança como processo educativo, e não é isso que realmente educa. Por aqui também circula a aceitação de que o adolescente envolvido no tráfico tem que morrer. É preciso um trabalho de desconstrução tanto dessa cultura de educação baseada na violência, quanto desse processo de culpabilização presente em nossa sociedade”, salientou ela.

Na última década, cerca de 200 mil crianças morreram em decorrência da violência, 119 mil delas tinham entre 15 e 17 anos. Com esses dados a mortalidade por causas externas tem atingido o 1º lugar. Para Helena o que falta é uma articulação entre os órgãos de justiça – “absolutamente preconceituosos”- e os órgão de defesa e garantia dos direitos da criança e do adolescente.


Amor em tempos de guerra

Foi o título da mesa que sucedeu a conferência de abertura. Dela faziam parte as pesquisadoras Fátima Cecchetto, da Fiocruz, Laura Moutinho, do CLAM. A discussão esteve em torno da territorialidade e da discriminação racial. “Há um campo amplo nos espaços populares que vai além do tráfico, como as manifestações culturais, ou a narco-cultura – “O hip-hop é um dos exemplos de coisas que convivem harmonicamente nesses espaços”, observou a socióloga Sílvia Ramos, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC/UCAM). “Não adianta projetos externos com vieses preconceituosos”, disse a rapper Nega Giza, também compondo a mesa. “O que garante nossa auto-estima, como moradores de favela, é a valorização de elementos internos. Primeiro temos que discutir os problemas. O que a gente não discute, não conseguimos mudar”, finalizou ela.

O Seminário foi uma iniciativa conjunta do CLAM, do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM), do Observatório de Favelas e do CESeC. Além das mesas de discussão, o evento contou ainda com a exibição do filme Mina de Fé, oficinas e apresentações de dança.

Publicada em: 11/11/2004

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